Tráfico de órgãos: Enfermeira de Taubaté fala pela primeira vez sobre o Caso Kalume

História chocou o Brasil na década de 80:  médicos são acusados de retirar órgãos de pacientes ainda vivos

Começa na segunda-feira (17/10/2011) o julgamento dos médicos envolvidos no Caso Kalume. A história chocou o Brasil na década de 80, quando quatro médicos foram acusados de retirar órgãos de pacientes ainda vivos. E neste sábado nossa equipe conversou com a enfermeira que é uma das principais testemunhas de acusação do caso.

  

Foram vinte e cinco anos de apreensão e silêncio. Rita Maria Pereira trabalhou no Hospital Regional, em Taubaté, e é a principal testemunha de acusação do Caso Kalume. Em 1986 ela conta que presenciou um ato de brutalidade de um dos médicos envolvidos na denúncia. “Quando eu olhei, os rins já estavam em cima da mesa”.

O médico que teria assassinado o paciente com traumatismo craniano é o urologista Pedro Henrique Torrecilas. Ele e outros três médicos são acusados de retirarem os rins de pacientes ainda vivos. A denúncia ficou conhecida como Caso Kalume, porque a acusação foi feita pelo então diretor do departamento de medicina da Unitau, Roosevelt Kalume.

Pelo menos quatro pessoas teriam sido vítimas dos médicos. O irmão de Ivan foi uma delas. O rapaz foi internado na época com aneurisma.  A família autorizou a doação dos rins assim que fosse constatada a morte cerebral. Mas Ivan diz que os médicos desligaram os aparelhos antes disso. “Não tem gente que fica em coma por anos e depois se recupera? Ele também poderia ser assim”, reclama.

O delegado responsável pela investigação, Roberto Martins, passou dez anos trabalhando no caso. “Na perícia técnica, os 4 pacientes vítimas de homícidio não se encontravam em morte cerebral, nem morte encefálica”.

Desde então o caso se arrasta na Justiça. A demora para marcar o julgamento dos médicos foi tanta, que um dos quatro acusados, o neurologista Antonio Aurélio Monteiro já morreu. Outros dois médicos envolvidos aceitaram conversar com nossa equipe e rebatem as acusações.

“Eu tenho certeza que os exames foram dentro dos parâmetros. O diagnóstico foi realizado em perfeitas condições”, comentou o urologista Mariano Fiore Júnior. “Eu me formei para salvar vidas”, defendeu-se Rui Sacramento.

O doutor Pedro Henrique Torrecillas, que teria matado o paciente com um bisturi, não quis receber nossa equipe. Mas quando a denúncia foi feita, ele negou as acusações. “Essas acusações são indevidas e descabidas”, declarou à época.

O julgamento deve começar na segunda-feira. A expectativa é que dure, pelo menos, quatro dias. E a espera para o final dessa história que já dura 25 anos pode chegar ao fim.

“Quanto tempo de espera e o negócio só vai enrolando, enrolando… É uma emoção muito grande saber que agora pode resolver esse problema desse processo”, declarou o aposentado Ivan.

Fonte:  http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=105963

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