Venda de órgãos humanos

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21 de Maio de 2008 

por Kerry Howley


“O que o Irã pode nos ensinar em matéria de governo?” Essa não é uma pergunta que não se ouve com muita freqüência. Porém, de acordo com Benjamin Hippen, um nefrologista da Carolina do Norte, os iranianos conseguiram fazer algo que os políticos de países desenvolvidos, por muito tempo, acreditavam ser impossível: encontrar rins para todos os cidadãos que precisam.

Conforme Hippen explica em um artigo de março para o Instituto Cato, o governo iraniano vem pagando doadores de rins desde 1988. Para evitar possíveis conflitos de interesse, os doadores e os receptores se encontram através de uma organização independente conhecida como a Associação dos Pacientes de Transplantes e Diálise. Os doadores devem ir voluntariamente à associação. Eles não podem ser recrutados por médicos ou enviados por corretores com incentivos financeiros. Eles recebem 1200 dólares e assistência médica limitada pelo governo, além de receberem remuneração direta dos receptores – ou, caso o receptor seja pobre, de alguma das várias organizações de caridade. A combinação da caridade com os pagamentos governamentais garante que os receptores pobres sejam tratados tão bem quanto os ricos.

Os críticos do mercado de órgãos afirmam que se os pagamentos fossem permitidos, a doação voluntária cairia. Hippen descobriu que esse não é o caso no Irã. O programa de doação dos órgãos de mortos, iniciado em 2000, tem crescido em conjunto com as doações pagas. (As doações póstumas não são remuneradas). Nos últimos oito anos, as doações a partir de mortos aumentaram dez vezes.

Os dados a respeito da saúde dos doadores de rins iranianos são confusos e inconclusivos, dessa forma, Hippen recomenda que se um sistema similar fosse ser aplicado pelos Estados Unidos, deve se manter um contato próximo com os doadores e lhes fornecer cuidados médicos durante toda a sua vida. Já que muitos dos possíveis receptores de rins estão atualmente sobrevivendo à custa da hemodiálise, um tratamento bem mais caro (pago pelo Medicare), o fornecimento de assistência médica por um longo prazo possuiria um custo-benefício melhor do que o do sistema atual.

Os críticos americanos continuam a lamentar o fracasso da tentativa do Irã de adotar a política americana e proibir o pagamento por órgãos, em meados dos anos 1980. “A conclusão desse raciocínio”, escreve Hippen, “seria admitir que haveria escassez de órgãos para transplante no Irã da mesma forma que há nos EUA, assim como uma taxa similar de mortalidade das pessoas na lista de espera e nossa conseqüente cumplicidade moral por gerar uma situação que sustenta um mercado internacional de órgãos traficados ilegalmente”. Nenhum outro país conseguiu eliminar sua lista de espera por rins. Os Estados Unidos têm uma lista de espera de 73 mil pacientes. Quem deveria dar conselhos a quem?

Original em Reason.com

Fonte:

http://www.ordemlivre.org/node/225

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Uma resposta to “Venda de órgãos humanos”

  1. Clarissa Says:

    Interessante a notícia. Informa um problema Bio-ético internacional e o despreparo da população para o enfrentamento das novas tecnologias em saúde. Bisa Sônia


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