Morte encefálica: A honestidade é a melhor política

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A Revista British Medical Journal , volume 325, de 12 de outubro de 2002, vem com a publicação “A honestidade é a melhor política” que está reproduzida a seguir como “escolha do Editor”

Autor David Hill anestesiologista

Vedada a reprodução desta tradução. Seu endereço para referência ou citação neste espaço é

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/01/11/morte-encefalica-a-honestidade-e-a-melhor-politica/

em www.biodireito-medicina.com.br

http://www.biodireito-medicina.com.br/website/internas/cartas.asp?idCarta=147David Hill anestesiologist

Diagnosticando a morte encefálica

A honestidade é a melhor política

Editor – Os altruístas doadores (e potenciais doadores) de órgãos nunca receberam explicações sobre o processo da doação, tal como requer-se em um consentimento obtido após o fornecimento de informações completas. O editorial escrito por Baumgarten e Gerstenbrand pouco contribui para clarificar essa situação.1 Eles ainda sustentam o termo “morte encefálica” o qual já foi há muito tempo substituído por “morte do tronco encefálico”, e, mais recentemente, “morte para fins de transplante” tem sido utilizado pelo Departamento de Saúde (Ministério da Saúde inglês). No mínimo, deveria tornar-se claro precisamente o que o (potencial) doador entende por morte. Sem esse entendimento, o consentimento tornar-se-á seguramente inválido.

Se são somente os neurologistas quem podem aplicar os testes para o diagnóstico da “síndrome fatal” da morte, não temos nós sido negligentes ao longo dos últimos 25 anos ao permitirmos que qualquer médico com cinco anos de experiência aplique os testes? Podem aqueles que estão preparados para fazer o diagnóstico crítico não serem considerados parte da equipe de transplante? Encontra-se entendido que o teste da apnéia pode causar acentuação da lesão encefálica ou mesmo a morte, como tem sido claramente mostrado por Coimbra?2

Os anestesiologistas encontram-se incomodados com o diagnóstico de morte. Existe uma discrepância de práticas entre os anestesiologistas.3 Alguns dão anestesia completa aos doadores de órgãos (porque eles respondem à cirurgia de forma bastante similar a qualquer outro paciente), enquanto outros evitam a anestesia (a qual poderia levar à impressão de que admitem que os doadores estejam ainda vivos), mas suprimem as respostas à cirurgia através de outros meios.

Uma recente opinião australiana é a de que, em lugar de redefinirem como mortos aqueles que apresentam a morte encefálica, seria mais honesto reconhecer-se que tais indivíduos não estão mortos e que a remoção dos seus órgãos está de fato matando-os, e que a viabilidade a longo prazo dos programas de transplantes seria provavelmente melhor servida através da declaração da verdade do que através do comércio com a ficção.4 Esta seria uma melhor abordagem do que escrever-se que nós não devemos perturbar o consenso que permite que aqueles nos quais a morte encefálica é diagnosticada sejam encarados como mortos. A honestidade ainda é a melhor política.

David Hill anestesiologista aposentado

The Old Post House, Eltisley, Huntingdon
Cambridgeshire PE19 6TG
david.hill@amserve.net

1 Baumgartner H, Gerstenbrand E. Diagnosing brain death without a neurologist. BMJ 2002;1471-2. (22 de junho.)

2 Coimbra CG. Implications of ischemic penumbra for the diagnosis of brain death. Braz J Med Biol Res 1999;32:1479-87.

3 Young PJ, Matta BF. Anaesthesia for organ donation in the brain stem death – why bother? Anaesthesia 2000;55:105-6.

4 Kerridge IH, Saul P, Lowe M, McPhee J, Williams D. Death, dying and donation: organ trans-plantation and the diagnosis of death. J Med Ethics 2002;28:89-94.

BMJ VOLUME 325 12 de OUTUBRO de 2002 bmj.com

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