Morte Suspeita – Editorial do Jornal do Brasil de 01.03.1999, Caderno Brasil, página 08


MORTE SUSPEITA

Editorial do Jornal do Brasil de 01.03.1999 sobre morte encefálica

“Estaríamos matando pacientes, em geral pobres, que poderiam ser salvos em nome da eficiência e da esperança dos transplantes”

Endereço neste espaço:

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/01/05/morte-suspeita-editorial-do-jornal-do-brasil-de-01031999-caderno-brasil-pagina-08/

Endereço em www.biodireito-medicina.com.br:

http://www.biodireito-medicina.com.br/website/internas/editorial.asp?idEditorial=153

“( … ) Transplantes são técnicas sofisticadas de medicina de ponta, custam caro e um sistema de transplantes, a começar pela captação de órgãos, deve ser tecnicamente coerente de uma ponta a outra do processo, para evitar suspeitas de favorecimento, corrupção e quebra de ética médica.

Quantos hospitais brasileiros têm condições de medir o fluxo do sangue no cérebro de paciente em coma profundo?

É indispensável que, quando alguém passe a doador potencial, seja avaliado pelos métodos mais modernos de diagnóstico e, se não forem conclusivos, indicando lesão irreversível, deve-se tentar salvar esse paciente e não considerá-lo a priori, por falta de recursos, preguiça ou até ganância desenfreada, simples doador de órgãos.

Além da dúvida médica, cabe lembrar que 80% de todos os transplantes realizados no Brasil são de rim e que a maioria dos rins pára de funcionar por hipertensão e diabetes, cuja prevenção é fácil e custa relativamente pouco. O Governo sancionou lei tornando os brasileiros doadores automáticos, o que, num país de fortes desníveis sociais, despertou suspeitas não de todo infundadas.

Felizmente as autoridades voltaram atrás por pressão dos médicos e o consentimento da família do morto voltou a ser necessário.

O Ministério da Saúde gastou somas enormes em campanhas sobre transplantes, mas faltou atenção à prevenção do diabetes e da hipertensão, o que reduziria a fila de 25 mil brasileiros à espera de um órgão.

A angústia para salvar uma vida num sistema insatisfatório poderá originar uma situação inaceitável do ponto de vista da ética médica e até do Código Penal.

Estaríamos matando pacientes, em geral pobres, que poderiam ser salvos em nome da eficiência e da esperança dos transplantes.”

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