“Já é possível responsabilizar algumas pessoas”, declarou o porta-voz da Procuradoria especial sérvia para os crimes de guerra, Bruno Vekaric, citado hoje pela imprensa local.
O principal suspeito seria o ex-primeiro-ministro do Kosovo e ex-comandante da guerrilha albano-kosovar Ramush Haradinaj, a quem Vekaric acusou de estar “profundamente envolvido” nesse caso.
Segundo o porta-voz da Procuradoria, há dados que indicam que os parentes de Haradinaj e algumas pessoas de Tirana também estão envolvidos com o tráfico de órgãos humanos de sérvios no norte da Albânia.
Vekaric disse que esses crimes não ficarão sem ser esclarecidos e pediu à comunidade internacional que ajude na investigação.
Esse caso veio à tona após a publicação de um livro da ex-promotora-chefe do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) Carla del Ponte, no qual denunciou que nunca se chegou a completar uma investigação a respeito, e fez referência a supostas obstruções.
Segundo Del Ponte, membros da antiga guerrilha albano-kosovar levaram em caminhões prisioneiros sérvios até o norte da Albânia, onde tiveram os órgãos extraídos para serem vendidos.
O número de supostas vítimas sérvias desta prática seria de 300 pessoas.
As autoridades do Kosovo negam a acusação de que a antiga guerrilha albano-kosovar estivesse envolvida em tráfico de órgãos.